Acontece: Um sábado de outubro
Quarenta e dois quilômetros à beira-mar, com a chegada na Praça do Comércio — e um corte ao quilômetro 30 cuja hora os dois documentos oficiais não dizem igual.
Dados da edição de 2025.
Uma mediana acima das quatro horas num percurso praticamente plano diz o que o perfil não diz: isto é uma prova de vento e de calendário, não de terreno. A organização não publica distribuição por escalões nem taxa de desistência, e os abandonos que aparecem nos resultados oficiais são apenas do pelotão de elite convidado.
6h00, contadas a partir da última partida, com a prova a terminar às 14h30. Está no Artigo 2.º do regulamento de 2026, e a formulação importa: o relógio não é o seu, é o da última onda.
Quem exceder o limite deve se desviar para as calçadas ou entrar no ônibus da organização, que deixa de se responsabilizar pelo que aconteça depois disso.
⚠️ E há um corte ao quilômetro 30 cuja hora os documentos oficiais não dizem igual:
Não escolhemos por você. Planeje pela mais apertada das duas e confirme com a organização antes de viajar.
Ponto a ponto, sempre ao lado da água: começa em Carcavelos e termina na Praça do Comércio, passando por Estoril, Oeiras, Algés e Belém. Fica entre os 5 e os 35 metros de altitude do princípio ao fim, com a única subida sustentada entre os quilômetros 5 e 12.
A organização não publica um valor de desnível acumulado e não adotamos nenhum dos que circulam em traçados de terceiros. O que esses traçados concordam em mostrar é a forma do percurso: uma faixa estreita entre os 5 e os 35 metros, com a única subida digna desse nome na perna para poente, entre os quilômetros 5 e 12, e praticamente nada depois do 22.
Largada, Carcavelos. Na N6-7, em frente à Nova SBE, a cerca de 20 km da meta. Quem chega de carro chega ao lugar errado do percurso — a partida e a chegada não são o mesmo lugar.
Quilómetro 0 ao 12, a perna para poente pela Marginal. É aqui que está a única subida sustentada do dia, entre o 5 e o 12, e é também o troço mais exposto ao vento do Atlântico.
Quilómetro 12 ao 22, Estoril, Oeiras e Algés. Volta para nascente pela Marginal, com o Tejo do lado direito e o terreno a assentar.
Quilómetro 22 ao 34, o corredor do Tejo. Praticamente plano até ao fim. É um troço bonito e absolutamente monótono: a mesma vista, a mesma inclinação, a mesma passada, durante mais de uma hora.
Quilómetro 34 ao 36, Belém. Torre de Belém por volta do 34,8 e os Jerónimos por volta do 35,7.
Últimos quilômetros, até à Praça do Comércio. Beira-rio até à chegada, no Terreiro do Paço.
Três coisas, e nenhuma é uma subida.
O vento da Marginal. O percurso corre colado ao mar do primeiro ao último quilômetro, sem um único edifício a servir de abrigo. Num dia de nortada o troço para poente é contra o vento e o regresso é a favor, o que soa a compensação e não é: gasta-se na ida a carreira que se queria correr na volta.
O calor de outubro, que ninguém espera. A própria previsão do percurso oficial de 2025 avisa para «o calor e a instabilidade» de outubro em Lisboa. Uma largada às 8h da manhã em Portugal em outubro pode acabar com sol alto e sem sombra nenhuma no corredor do Tejo.
E o relógio do quilômetro 30, que é o verdadeiro problema desta prova — não por ser apertado, mas por não estar claro. O regulamento de 2026 marca-o às 12h40; o PDF de perguntas frequentes de 2025, que continua a circular, marca-o às 12h10. Meia hora de diferença é exatamente a margem de quem está a correr para acabar em cinco horas e meia. Os *pacers* oficiais vão até às 5h00, o que dá uma pista de para quem esta prova está pensada.
Outubro em Lisboa, entre o Atlântico e o Tejo. Não encontrámos registo de estação de nenhuma manhã de prova e não o estimamos.
O que o próprio percurso oficial avisa é o mais útil que há: outubro aqui é instável e pode estar quente. Com largada às 8h00 e um tempo limite que se estende até às 14h30, quem corre acima das quatro horas vai pegar a parte mais quente do dia num corredor sem sombra.
8h00 da manhã, em Carcavelos, na N6-7 em frente à Nova SBE. As largadas são escalonadas: 8h00, 8h06, 8h12, 8h18 e 8h24 na edição de 2025 — confirme o seu horário para 2026, porque o tempo limite é contado a partir da última partida e não da sua.
E repare na véspera: esta maratona é no sábado, não ao domingo.
Inscrições pelo site do Maratona Clube de Portugal, abertas com meses de antecedência e até esgotar. A organização não publica um calendário de fases com datas.
Por ordem de inscrição, sem sorteio nem marca mínima
Não há marca mínima para entrar.
Cinco partidas escalonadas de 8h00 a 8h24 na edição de 2025. Como o tempo limite de 6h00 é contado a partir da última partida, sair numa onda mais cedo dá margem extra e sair na última não tira nenhuma — mas o corte do quilômetro 30 é uma hora de relógio, e essa não se ajusta a ninguém.
A edição de 2025 foi anunciada com cerca de 15.000 participantes. A organização não publica bandas de preço nem velocidade de esgotamento, e não há levantamento de dorsal no dia da prova — se você chega na véspera, tem de contar com isso.
Dados de inscrição e condições verificados em 11 de setembro de 2026. A organização é a fonte para qualquer data que mude.
Um percurso plano e à beira-mar treina-se ao contrário do que parece.
Primeiro, o vento não se compensa, gere-se. Doze quilômetros iniciais possivelmente contra a nortada, e depois o regresso a favor. A decisão é correr a ida a esforço constante e deixar o ritmo cair, sabendo que volta. Quem tenta segurar o ritmo objetivo contra o vento gasta ali a prova. Isso treina-se: faça pelo menos duas tiradas longas do bloco em dia de vento forte, de propósito, na direção mais desagradável na primeira metade.
Segundo, o plano é o mesmo desde o quilômetro 22. São vinte quilômetros de passada idêntica, terreno idêntico e paisagem idêntica. É desgaste de repetição, não de intensidade, e trabalha-se com tiradas longas em terreno verdadeiramente plano — não em circuitos ondulados, que dão micro-pausas involuntárias que aqui você não vai ter — com mudanças de cadência lá dentro para partir o padrão.
Terceiro, ensaie o calor. Outubro em Lisboa pode dar-te 22 graus ao quilômetro 30. Parte das tiradas longas das últimas seis semanas deve ser a meio da manhã, para saber qual é o seu ritmo real com sol e para escrever um plano de líquidos em vez de improvisar no primeiro abastecimento.
E há uma decisão de véspera que é de treino: a prova é ao sábado e a partida fica a 20 km da chegada. O dia anterior não é o dia anterior habitual, e o transporte para Carcavelos tem de estar resolvido antes — não é logística, é o que decide a que horas você levanta e quando come.
Quando a organização publicar a data, conte 18 ou 12 semanas para trás a partir dela.
Três níveis, por frequência cardíaca. Escolha pelo volume que você consegue sustentar, não pelo que gostaria de fazer.
Não precisa faltar exatamente 12 ou 18 semanas para a prova. Um bloco específico não começa do zero: você chega nele já ativo, e estes planos são a parte final do caminho.
Os preços são cobrados pela TrainingPeaks em dólares americanos.
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Dois documentos oficiais dão horas diferentes para o mesmo corte ao quilômetro 30, e a diferença entre eles é exatamente a margem de quem corre para acabar em cinco horas e meia.
Um plano de calendário não sabe em que caixa você largou, como foi o seu último mês, nem o que fazer quando a semana desanda. Se o que você acabou de ler sobre esta prova muda o seu planejamento, isso é uma conversa, não um PDF.
Conte o seu objetivo